Presidente dos EUA adicionou novo capítulo a ameaças contra a Europa em carta enviada ao premiê norueguês e obtida pela agência Reuters. Fala ocorre em meio a ameaças de anexar a Groenlândia, o que causou escalada de tensões com a Otan.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse "não se sentir mais obrigado a pensar apenas na paz" e que isso seria culpa da Noruega, segundo carta enviada ao governo norueguês e obtida nesta segunda-feira (19) pela agência de notícias Reuters.
Segundo agências de notícias e a mídia dos EUA, a carta de Trump apontou um elo entre sua investida contra a Groenlândia e ele não ter sido ter sido laureado com o Nobel da Paz em 2025, vencido por María Corina Machado, opositora ao chavismo na Venezuela.
Trump afirmou na carta que sua nova linha de raciocínio, de colocar os interesses EUA antes da paz, decorre do resultado da premiação, ocorrida em outubro. Desde então, Trump já deu diversas demonstrações públicas de descontentamento com a decisão do Comitê do Nobel. Sua pressão foi tanta que Corina entregou seu Nobel a ele durante encontro na Casa Branca na semana passada.
“Caro Jonas: dado que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue sendo predominante —, e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América", afirmou Trump na carta enviada ao premiê norueguês, Jonas Gahr Støre.
Em seguida, o presidente norte-americano voltou à questão da Groenlândia: questionou a soberania da Dinamarca sobre o território, voltou a dizer que há uma "ameaça russa e chinesa" no local e voltou a utilizar falas amplamente contestadas como "não haver documentos escritos" que comprovem o vínculo entre dinamarqueses e groenlandeses.
A investida de Trump contra o território, que pertence à Dinamarca, causou uma escalada de tensões sem precedentes com a Europa. Países europeus enviaram tropas à Groenlândia e ameaçam utilizar uma medida considerada "bazuca comercial" para retrucar tarifas de 10% impostas pelo presidente norte-americano a quem contrarie sua investida contra a ilha.
"A Dinamarca não consegue proteger aquela terra [Groenlândia] da Rússia ou da China e, afinal, por que eles teriam um ‘direito de propriedade’? Não há documentos escritos; é apenas o fato de um barco ter desembarcado lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos que desembarcaram lá. Fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e, agora, a Otan deveria fazer algo pelos EUA. O mundo não estará seguro a menos que tenhamos controle completo e total da Groenlândia", completou Trump.
Também nesta segunda-feira, Trump voltou a falar publicamente em suas redes sociais sobre a necessidade de ter a Groenlândia como parte dos EUA e disse que "agora é a hora".
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