Atividade integra programação da mostra, em cartaz na Superintendência do Iphan em Pernambuco até o dia 31 de janeiro
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promove, no dia 19 de janeiro, às 10h, uma conversa com o jornalista e idealizador da exposição fotográfica “Baianas Ricas de Maracatu”, Júlio César de Araújo, na Superintendência do Instituto em Pernambuco, em Recife (PE). Durante o evento, que integra a programação da mostra, também será realizada uma homenagem à mestra de maracatu Joana Cavalcante, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para a cultura popular pernambucana.
Em cartaz na sede da superintendência, a exposição “Baianas Ricas de Maracatu” é composta por 15 fotografias e apresenta um recorte histórico e documental sobre a presença das chamadas baianas ricas - homens travestidos que desempenham papel central nos maracatus pernambucanos. O tema foi definido a partir do trabalho “Baianas Ricas de Maracatus: Travestismo e Religiosidade dos Homens”, que investiga a visualidade, a origem e os aspectos sociais e religiosos desse fenômeno cultural, a partir de uma perspectiva documental, sem juízo de valor.
A mostra traz histórias de baianas específicas, resultado de uma pesquisa realizada junto ao Maracatu Pavão Dourado. As trajetórias são apresentadas por meio das imagens e de textos expositivos que contextualizam a atuação dessas personagens no maracatu, bem como seus contextos culturais e religiosos.
Para Júlio César Araújo, as baianas ricas simbolizam um novo momento, marcado pelo avanço das agremiações rumo a um futuro com mais diversidade e inclusão.
"Ricas por natureza, as baianas são, em sua maioria, homens homossexuais que expressam coragem e identidade ao fortalecerem, a cada ano, sua presença, importância e visibilidade nos maracatus, conquistando respeito e reconhecimento dentro das agremiações", pontua o idealizador da mostra.
O ensaio fotojornalístico que deu origem à mostra foi construído a partir do contato direto com integrantes dos maracatus pesquisados, além de diálogos com lideranças religiosas e culturais, respeitando os contextos, os espaços e as narrativas compartilhadas durante o processo de pesquisa e registro.
Além das fotografias, a exposição se articula com materiais audiovisuais, incluindo vídeos, áudios e um minidocumentário, que ampliam a compreensão do público sobre o tema e o processo de pesquisa desenvolvido pelo autor.
“Ao registrar e difundir esse aspecto singular do maracatu, a exposição contribui para a valorização e preservação dessa manifestação cultural, evidenciando práticas, personagens e saberes que integram sua história e permanência ao longo do tempo”, avalia a historiadora e técnica do Iphan, Thamires Neves.
A exposição “Baianas Ricas de Maracatu” está aberta ao público, com visitação gratuita, até o dia 31 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

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