Presidente interina da Venezuela fala em colaboração com os EUA

Presidente interina da Venezuela fala em colaboração com os EUA


Em publicação no Instagram, Rodríguez escreveu: “Priorizamos a construção de relações internacionais equilibradas e respeitosas entre os Estados Unidos e a Venezuela e entre a Venezuela e outros países da região, baseadas na igualdade soberana e na não interferência”.

Rodríguez liderou no domingo (4.jan) uma reunião do Conselho de Ministros no Palácio de Miraflores, em Caracas, com o objetivo de “garantir a paz e a soberania do país”. Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), ameaçou a presidente interina venezuelana com possíveis retaliações caso ela não atenda às exigências norte-americanas.

“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou. Referiu-se ao presidente deposto da Venezuela Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), que está detido em Nova York depois de ser capturado em uma operação militar dos EUA em Caracas, no sábado (3.jan).

Eis a íntegra do comunicado de Rodríguez:

“Uma mensagem da Venezuela ao mundo e aos Estados Unidos.

“A Venezuela reafirma seu compromisso com a paz e a coexistência pacífica. Nosso país aspira a viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói, em 1º lugar, garantindo a paz dentro de cada nação.

“Priorizamos a construção de relações internacionais equilibradas e respeitosas entre os Estados Unidos e a Venezuela e entre a Venezuela e outros países da região, baseadas na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo.

“Convidamos o governo dos EUA a colaborar conosco em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, para fortalecer a coexistência comunitária duradoura.

“Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a mensagem do presidente Nicolás Maduro e é a mensagem de toda a Venezuela neste momento. Esta é a Venezuela em que acredito e à qual dediquei minha vida. Sonho com uma Venezuela onde todos os venezuelanos de bem possam se unir.

“A Venezuela tem o direito à paz, ao desenvolvimento, à soberania e a um futuro.

“Delcy Rodríguez
“Presidente interina da Venezuela”

O ATAQUE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

COMANDO DO PAÍS

No início da tarde de sábado (3.jan), Trump afirmou a jornalistas que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deve ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.


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