China reafirma que nunca renunciará ao uso da força contra Taiwan

China reafirma que nunca renunciará ao uso da força contra Taiwan

 Declaração ocorre após investigação contra altos comandos do Exército chinês e reforça que Pequim prioriza a reunificação pacífica, mas não descarta ação militar


O governo da China reafirmou nesta quarta-feira, 28, que nunca renunciará ao uso da força para assumir o controle de Taiwan. A declaração ocorre dias após autoridades chinesas anunciarem a abertura de uma investigação contra o general Zhang Youxia, considerado o segundo nome mais importante do Exército do país.

Durante entrevista coletiva, a porta-voz do Gabinete para Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, afirmou que a investigação demonstra que o Comitê Central do Partido Comunista e a Comissão Militar Central não têm zonas proibidas, abrangem todos os níveis da hierarquia e mantêm tolerância zero no combate à corrupção.

Segundo Zhang, o processo é uma demonstração clara da determinação e da capacidade do Partido e das Forças Armadas de enfrentar irregularidades internas. Ela acrescentou que, sob a liderança firme do Comitê Central e do presidente Xi Jinping, Pequim continuará a manter a iniciativa e a capacidade de liderança nas relações através do Estreito de Taiwan.

A porta-voz ressaltou que a China está disposta a criar um amplo espaço para a chamada reunificação pacífica e a envidar o máximo de esforços nesse sentido. No entanto, deixou claro que o governo chinês nunca prometerá abandonar o uso da força nem permitirá qualquer forma de atividade separatista relacionada à independência de Taiwan.

As declarações foram feitas quatro dias depois de o Ministério da Defesa da China anunciar investigações contra Zhang Youxia e Liu Zhenli, primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central e chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto. Ambos são acusados de graves violações da disciplina e da lei, expressão frequentemente utilizada pelas autoridades chinesas para se referir a crimes de corrupção.

As investigações afetam diretamente a estrutura de comando das Forças Armadas chinesas. Dos sete integrantes da Comissão Militar Central no fim de 2022, restam atualmente apenas dois: o próprio Xi Jinping, que preside o órgão, e Zhang Shengmin, vice-presidente responsável pela campanha anticorrupção no Exército.

Analistas avaliam que as purgas no alto escalão militar não alteram o objetivo estratégico de Xi Jinping de assumir o controle de Taiwan, ilha governada de forma autônoma desde 1949 e considerada por Pequim parte inalienável do território chinês.

Após o anúncio das investigações, o ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou que a ilha não reduzirá o nível de alerta nem o preparo militar. Segundo ele, Taiwan continuará acompanhando de perto as mudanças nas cúpulas do Partido Comunista Chinês, do governo e das Forças Armadas da China, mantendo sua postura defensiva diante do fato de que Pequim jamais abandonou a possibilidade do uso da força contra o território.

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