Banco Central abre investigação interna para apurar processo de crescimento e liquidação do Master

Banco Central abre investigação interna para apurar processo de crescimento e liquidação do Master

 

Ex-dirigentes foram afastados; decisão foi tomada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e investigação está sendo conduzida pela corregedoria do órgão, sem prazo para ser concluída

BRASÍLIA - O Banco Central abriu um processo interno para apurar o crescimento acelerado e a posterior liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzido pela corregedoria do BC.

O ex-diretor de Fiscalização do banco Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a diretoria de 2019 a 2023, foi afastado do cargo, por decisão de Galípolo, uma semana depois da liquidação, e depois pediu para sair do cargo.

O mesmo ocorreu com o chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana. Não há acusação, contudo, contra os servidores. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

A investigação foi aberta por determinação do presidente do BC, Gabril Galípolo

Não há prazo para o fim da investigação por parte da corregedoria, que tem autonomia para conduzir o caso. O objetivo da medida é tentar entender o que aconteceu com o Master, e como o Banco Central pode reforçar a sua governança interna de fiscalização.

Do final de 2019 ao fim de 2024, o Master (então banco Máxima) deixou de ser um banco com R$ 3,7 bilhão em ativos para alcançar R$ 82 bilhões, em valores nominais, sem considerar a inflação, de acordo com dados do Banco Central.

Segundo relatório da agência Moody's, o crescimento do banco foi de 40% ao ano em 2019, chegando a 100% em 2024 — ano em que dobrou de tamanho. "Em menos de quatro anos, o Master se tornou a 25ª maior instituição financeira do Brasil, em junho de 2024, quando era a 77ª em 2021?, diz a agência.

Em meio ao crescimento acelerado do banco de Daniel Vorcaro, o BC detectou uma série de irregularidades na instituição, como insuficiência de capital, inexistência de ativos líquidos na composição de fundo de liquidez que dava amparo às operações estruturadas de longo prazo e o não atendimento de normas relativas ao gerenciamento do risco de crédito.

Como mostrou o Estadão, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto sabia dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Master durante a sua gestão (2019-2024) à frente da autoridade monetária, mas evitou tomar medidas mais extremas contra o banco. Procurado, Campos Neto não se pronunciou.

À época, havia a expectativa de que o Master tivesse ativos que pudessem ser revendidos ao mercado, dentro da lógica de separação do "good bank" (parte boa do Master) e o "bad bank" (ativos podres). Assim, o custo para o sistema financeiro e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seria menor.

Estadão apurou que pelo menos duas vezes Campos Neto teria atuado para evitar uma intervenção ou liquidação do Master ao longo do ano de 2024, seu último ano à frente do BC: uma primeira em março e outra em novembro.

Campos Neto chegou a dar uma espécie de ultimato informal até março de 2025 para se encontrar uma "solução definitiva", segundo apurou a reportagem. A decisão sobre a liquidação acabou sendo executada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado.

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