Marcos Rocha afirma que medida dos EUA eleva custos, pressiona setores como carne e soja e cobra solução diplomática

Porto Velho, RO – O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), declarou nesta terça-feira (15) que a tarifa de importação imposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um risco para o agronegócio brasileiro e deverá atingir diretamente produtores e trabalhadores. Em entrevista à CNN Brasil, ele disse acreditar em uma saída diplomática e fez críticas à vinculação da tarifa com questões internas do Judiciário brasileiro.

“O aumento [das tarifas] é uma situação real”, afirmou Rocha. “Se você tiver que produzir e perder recursos, então há uma preocupação dos produtores de soja, de carne bovina e, é claro, dos governadores.”

O governador destacou que a sobretaxa anunciada por Trump impacta diretamente setores estratégicos da economia nacional, ainda que o estado de Rondônia não tenha os EUA como principal destino de suas exportações. Segundo ele, apenas 5% dos produtos rondonienses têm como destino o mercado norte-americano, entre eles o peixe tambaqui, que passou a ser vendido em maior volume recentemente.

Mesmo com impacto relativamente menor sobre o estado, Marcos Rocha frisou que os governadores de todo o país estão atentos às possíveis consequências. “Se o Brasil tem um declínio, logicamente os estados acabam também sofrendo com isso.”

 

Sobre o tom adotado por Trump ao atrelar o aumento de tarifas ao tratamento jurídico dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, Rocha respondeu: “Eu acredito que ele [Trump] está buscando a justiça àqueles que ele acredita que houve a condenação ilegal.”

Questionado se as punições relacionadas aos atos de 8 de janeiro deveriam ser revistas, o governador respondeu que sim. “Eu acredito que deveria se rever todas as condenações que foram feitas”, disse. Segundo ele, cerca de “40 ou 50 rondonienses” estariam presos “sem terem participado de quebradeira”, e por isso haveria necessidade de separar os manifestantes violentos daqueles que, segundo ele, apenas estavam presentes.

Apesar da crítica à atuação da Justiça, Rocha declarou: “Isso fica por conta do STF, e é melhor a gente nem continuar falando, porque o meu pensamento não vai levar a nada.”

Sobre as tratativas em curso no governo federal para lidar com o impacto comercial, Rocha afirmou que acredita em negociações e rechaçou a adoção de enfrentamentos. “Conversa, diálogo é o que leva a gente a conquistar soluções inteligentes e não com um enfrentamento. Não é numa guerra tarifária que vai trazer prejuízo para o Brasil e também aos Estados Unidos.”

Ao final da entrevista, o governador fez um convite para o evento “Rondônia Day Tour”, que acontece nesta quarta-feira (16), às 14h30, no auditório do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Segundo ele, o estado busca alternativas de crescimento econômico por meio do turismo. “Crescemos 103% em turismo em 2024”, disse. “Se você conhece Minas, São Paulo, Brasília, passe a conhecer também um pouquinho do Norte.”

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Tainá Falcão e Gustavo Uribe no programa Bastidores CNN.